segunda-feira, 9 de agosto de 2010

“Remando contra maré”



         Enquanto muito dinheiro é gasto e pouco é feito para a Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016 alguns atletas se juntam para fazer com que fique algum legado desses dois grandes eventos do esporte mundial, diferentemente do que aconteceu no Pan de 2007.
         Muito se falou sobre o legado que o Pan deixaria, mas o que é visto hoje é totalmente o oposto. Para o Pan, foram gastos, incluindo o dinheiro da prefeitura do RJ, do governo estadual, governo federal e iniciativa privada, mais de R$ 1 bilhão de reais. Poucas são as instalações construídas que hoje são aproveitadas, sendo a mais efetiva o Engenhão para jogos de futebol, em grande maioria as outras obras estão em completo abandono, como o velódromo (R$ 14,2 milhões) e o Estádio de Remo da Lagoa Rodrigo de Freitas (R$ 13,2 milhões). Grande parte das obras feitas não poderão ser utilizadas para as olimpíadas e a maioria das “instalações provisórias” não existem mais.
         Andando na contra mão, cerca de 50 atletas brasileiros de diferentes modalidades se uniram para que algum legado seja deixado tanto para a Copa e Olimpíadas, essa é a ONG Atletas pela Cidadania, que nada mais é do que a união de atletas e pessoas ligadas ao esporte para sensibilizar, conscientizar e mobilizar a sociedade no apoio em causas de interesse nacional. No ultimo dia 09, representantes da ONG se reuniram, em audiência, com o Ministro dos Esportes Orlando Silva, em que apresentaram diversas propostas relacionadas ao esporte, os pontos abordados foram a garantia da prática esportiva na educação pública brasileira, para todas as crianças e adolescentes, democratização da atividade esportiva e o aumento dos investimentos públicos, para desenvolvimento do esporte nacional.
         Entre ex – atletas e os atletas ligados a ONG estão: Magic Paula, Raí, Ida, Ana Moser, Joaquim Cruz, Flavio Canto, Kaká, Clodoaldo Silva, Lars Grael, entre outros. Iniciativas como essa é de enorme importância para que ainda se tenha alguma esperança para o esporte brasileiro.


Mais sobre a ONG : ONG Atletas Pela Cidadania

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Amigos, amigos negócios a parte



        Muito se sabe (ou não) sobre a gestão do Ricardo Teixeira, presidente da CBF desde 1989. Não foram poucos os escândalos que atingiram a gestão Teixeira durante esses 21 anos. Foram inúmeras acusações, como a de nepotismo de cargos na CBF e a da conhecida bancada da bola, em que é acusado de dar dinheiro da entidade para campanhas políticas de dirigentes esportivos, com a intenção de manter no Congresso Nacional uma bancada de deputados e senadores para defender a seus interesses. Ricardo, ainda Prestou depoimento em duas CPIs, a do futebol e a da CBF-Nike.
        Mas um fato novo merece bastante relevância, a do “não” de Muricy Ramalho para do técnico da Seleção. Sendo verdadeira, ou não, a história contada pelo jornalista Juca Kfouri no programa Linha de passe, na ESPN Brasil, merece, sim, bastante destaque. Segundo Juca, o Presidente do Fluminense Roberto Horcades, que até um tempo atrás era além de amigo, cardiologista de Ricardo Teixeira, sofreu um duro golpe, que para ele só ficou claro ao saber que não fazia mais parte da comissão médica da FIFA. Bom, tudo começou quando Horcades soube de uma reunião da comissão médica da FIFA na África do sul, em que não foi comunicado. Não querendo ser deselegante, Horcades tirou do próprio bolso a passagem para ir a África para a reunião, chegando lá descobre que não fazia mais parte da comissão médica e que em seu lugar tinha entrado o Mustafá Contursi, que até então não possui nenhum diploma médico. Lembrando que foi o mesmo Horcades que deu um atestado para Teixeira não participar de uma das várias CPIs. Tudo leva a crer que a amizade foi rompida depois que Horcades, não obedecendo ao presidente da CBF, votou contra o candidato da CBF no Clube dos 13. Uma coisa deixa claro, amigos, amigos, negócios a parte.

Mais sobre o assunto: Juca Kfouri sobre o não de Muricy Sobre a gestão Teixeira na CBF

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A toda poderosa mãe do futebol

Na época de Copa do Mundo fala-se muito sobre o legado que o evento pode deixar para o país-sede do evento. Mas, muitos, ou quase todos, não sabem o que ocorre por debaixo dos panos.

Uma das organizações mais lucrativas do mundo, diga-se de passagem, entidade sem fins lucrativos, a FIFA, domina praticamente tudo que envolve a Copa. Por determinação da entidade, na Copa do Mundo na África do Sul, ninguém pode vender absolutamente nada dentro de um raio de mais de um quilômetro do estádio, só o que for dos seus patrocinadores. A FIFA arrecada o dinheiro dos ingressos dos jogos e ainda no centro internacional de imprensa, em Johannesburg, até uma simples água tem que ser comprada pelos jornalistas.

A FIFA arrecada anualmente US$ 1 bilhão (dado oficial) as suas duas grandes principais fontes de receitas é a venda de direitos de transmissão dos seus eventos futebolísticos para a TV e as cotas de patrocínio. Uma parte do dinheiro vai para os funcionários e outra parte vai para as federações afiliadas, que têm direito a voto, o que explica em muito a sucessivas reeleições dos seus dirigentes em uma ação recíproca e de “extrema” generosidade.

No Brasil a construção da infra-estrutura para a Copa pode estar atrasada, mas para a maracutaia já está bem avançada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou projeto de lei concedendo isenção fiscal à FIFA e a outras entidades que atuarão durante a realização do Mundial.

É praticamente fato que a maracutaia vai rolar solta, o que vai nos restar é tentar ficar de olho para ver se dessa vez, diferentemente do Pan de 2007, fique algum legado para o Brasil.